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domingo, 21 de novembro de 2010

Baile de máscaras

Camille, você já acabou de se arrumar? Ache, por favor, o Art?
Ah, sim. Vou procurá-lo, e não se demore Alícia, logo todos estarão lá embaixo. disse Camille saindo do quarto e indo à procura de Art.
Tudo bem, obrigada. fechou a porta. Deve ser tempo suficiente. disse para si mesma.
Rapidamente, entrou em seu closet e tirou de lá um vestido. Escondido atrás de todos os outros vestidos de festa que enchiam aquele espaço. Atrás de três ou quatro caixas de sapato, retirou um especial que usaria esta noite. E por último, uma pequena caixa.
Colocou seu vestido, era lindo, preto, o corpete era justo, com uma grande saia rodada, em seguida vestiu seu sapato, igualmente preto, com um pequeno laço na ponta, bem discreto. Com a chave de seu colar, abriu a pequena caixa, e de lá, retirou um par de brincos prata, compridos e com pequenas pedras de diamante, retirou também uma luva três-quartos preta transparente, e um anel. E por último, retirou uma máscara, preta com detalhes brancos em sua volta. Alícia estava pronta. Ouviu batidas na porta.

Abriu. – Damon? O que...?
Posso entrar?
Pode, claro. entrou. Alícia fechou a porta. O que faz aqui? Se alguém... Camille já deve estar voltando, você precisa ir.
Não se preocupe, dei um jeito de Art deixá-la ocupada. sorriu.
O que você fez?
Não importa. O que importa é que você está maravilhosa.
Obrigada, você também está lindo. Damon usava um paletó preto, e uma camisa branca com alguns desenhos em azul-marinho. Usava também uma boina xadrez preta e bege, com estampas de bolinhas e listras, e alguns fios de cabelo falso preto e branco caíam sobre sua cabeça. Ele não usava máscara, mas sim um risco preto que descia de seu olho direito até a metade de sua bochecha.
Obrigado. Alícia, eu não quero mais isso desse jeito. aproximou-se. Eu não quero ter que me esconder mais. Eu não me importo com o que sua família dirá, quero estar ao seu lado, sempre. colocou sua mão coberta por uma luva no rosto de Alícia.
Damon...
Não fale nada. Só me diga o que eu preciso ouvir, e eu serei seu para sempre, sem segredos nem mentiras, ou... Ou quem nos separa.
Damon, eu te amo. Eu sei de todos os riscos, mas... Não quero perdê-lo, eu preciso de você aqui, ao meu lado.
Sorriu. Eu te amo Alícia, mais do que a minha própria vida. pôs a mão sobre o queixo de Alícia, e seus lábios tocaram calmos os dela, unindo as duas almas apaixonadas, infestando aquele local de paixão e magia.

Não me deixe. uma lágrima amedrontada escorria solitária pelo rosto de Alícia, carregando consigo todo o medo que habitava naquele corpo.
Não irei. Damon secou a lágrima com um beijo singelo e delicado, transformando todo o medo em amor.

sábado, 28 de agosto de 2010

A última peça de seu coração

Ele continua a espera.
Esperando por ela, que há tempos o deixou. Seu coração ainda está espalhado por aí, tentando achar o caminho certo, tentando achar a combinação certa para voltar a ser o que era. Mas parece que nada funciona. Nenhuma combinação está certa, ainda falta uma peça, que continua perdida por onde eles andavam. Não. Essa peça não está perdida, está com ela. Será mesmo isso? Sim, é isso. Quando ela se foi, levou uma peça do quebra-cabeça de seu coração junto.

Ele continua a espera.
Esperando por ela, que há tempos o deixou. Seus olhos não tem mais o brilho que iluminava a todos, seu sorriso não contagia mais a todos, pois ele continua escondido dentro de sua boca, que se recusa a abrir, nem que seja por um milésimo segundo, nada mais o faz sorrir. Ele não tem mais sonhos, mas sim pesadelos. Ele sonha com ela, mas não com a graça que ela possui, mas sim com as palavras que ela soltara da última que se viram:
- Não dá mais... Adeus.

Ele continua a espera.
Esperando por ela, que há tempos o deixou. Tardes pensando naquele sorriso, que tanto o fascinava, naqueles olhos, que tanto o hipnotizavam, no amor que ele tanto desejava.
Lágrimas já não escapavam, ele já se acostumara com a dor de tal perda. Mas ainda procurava pela última peça do quebra-cabeça, pela última palavra do enigma, pela última peça da combinação.

- Você ainda me espera? - sussurrou a voz que tanto ele esperava ouvir.
- É claro, nunca deixarei de te esperar. Você é a minha vida, ainda não compreendeu isso? - continuava de costas.
Sorriu. - Mesmo depois de tanto tempo... Seu amor não mudara em nada? - continuava curiosa.
- Mudou sim. Mudou pra melhor, ele aprendeu a sofrer, a esperar... Por você.
- Como você consegue? - disse indignada em meio as lágrimas. - Mesmo depois de te ter feito sofrer... Ainda diz essas coisas para mim? Eu não mereço isso... Essas palavras... Esse seu jeito doce...
- Realmente você não compreendeu nada ainda... O meu amor por você, pode superar tudo, ele é incondicional, irracional... - se virou. Seus olhos novamente brilharam. Aquele rosto angelical... Era tudo o que ele precisava.
- Eu te trouxe uma coisa, que... Levei comigo quando me fui...
- O que?
- A última peça de seu coração. - sorriu, novamente o fascinando com aquele sorriso.

sábado, 7 de agosto de 2010

Lá estava ela novamente...

Lá estava ela novamente, sentada naquela mesma mesa, daquela mesma lanchonete, como em todas as outras tardes, à uma quadra de seu colégio, era esse o ponto de encontro de praticamente todos os alunos da escola. Mas ela não ia frequentemente a esse lugar, pois se encontrava com seus amigos, não. A única coisa que ela ia encontrar nessa lanchonete, era a solidão, a solidão de sempre. A solidão que convivia diariamente com ela, e que nunca a abandonara desde aquele dia. Um piscar de olhos, um instante, e tudo estava acabado. Sua vida estava acabada. Para ela, aqueles dois seres, eram os únicos motivos de sua felicidade, de sua existência, mas tudo se fora, em questão de segundos.

Depois do acontecido, toda vez que ela fechava os olhos, um flash de imagens lhe vinha à cabeça, a fazendo lembrar de cada detalhe daquela triste noite. Graças a tudo isso, foi morar com sua tia em outro estado, que não era lá melhor que seus pais, se é que podem ser chamados assim. Nunca, nunca em sua vida, nenhum dos dois se importara com ela, ela era somente mais um peso em suas vidas, um lixo. Mas não se deixava abalar por isso, pois tinha eles, seu irmão e seu melhor amigo. As únicas pessoas que se importavam com seu bem estar, com sua alegria. E sua vida, era resumida à eles dois, ninguém nunca a fez tão feliz quanto eles fizeram. Mas por pouco tempo, infelizmente. Eles a salvaram, deram suas vidas para salvá-la, pois não havia outra coisa com que se importavam, senão ela. Tudo aconteceu ali, bem na sua frente. Por um segundo fechou seus olhos, e pôde sentir a faca penetrando seu peito, e alcançando seu coração. Mas não foi real, não foi nela que a faca penetrou, não foi seu coração o perfurado, o que parara de bater. Primeiro, foi seu irmão, e depois, sem piedade alguma, seu melhor amigo, que dera sua vida para ela fugir, mas não o fez, ficou ali, chorando desesperadamente pela morte de seus dois anjos. E os outros seres que ali a cercavam, gargalhavam e a zombavam cruelmente. Ainda tinham em mente, mais uma morte para esta noite, mas fora salva por um carro de polícia que fazia a ronda noturna pela cidade. Mas para ela, de que importava continuar a viver? Sua vida se fora, quando eles se foram. Mesmo depois de se mudar, continuou em sua "patética vegetação", como ela mesma gostava de chamar.

Naquela lanchonete, vários sorrisos lhe eram direcionados, mas a única coisa que aqueles alunos realmente conheciam dela, era sua ignorância. Alguns mais simpáticos lhe soavam um 'oi' singelo e cuidadoso. Mas nada a fazia falar algo, nem mesmo a garçonete, que já acostumada com o silêncio vindo dela, sabia exatamente o seu pedido. "Um café expresso saindo", dizia a garçonete enquanto ela se sentava, sim, até o horário de sua chegada nunca mudava. 13:15, em ponto.

Enquanto tomava seu café, somente observava as pessoas, era seu hobby. Ela observava à todos, seus sorrisos, a felicidade estampada em cada rosto. E hoje em particular, um trio lhe chamou atenção: dois garotos e uma garota, muito felizes por sinal, brincavam, riam. Aquela imagem lhe trazia lembranças, trazia à ela, a nostalgia de um dia ter sido feliz desse jeito. E então pensava: "será que algum dia poderei voltar a ser feliz como era antes, antes do trágico assassinato? Será que algum dia, meus fones de ouvido e meu capuz, deixariam de ser meus escudos e melhores amigos? Será que um dia, eu realmente me recuperaria desse estado lastimável?"
De nada ela sabe. De nada eu sei. Só sei que lá continua ela, naquela mesma mesa, daquela mesma lanchonete, com aquele mesmo pensamento em mente.

"Será que algum dia poderei sorrir novamente para o mundo?"
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1º: Essa garota não sou eu.
2º: Isso é como um texto, que de repente me veio à cabeça, então decidi escrever. Adoro escrever coisas nesse estilo.
3º: Provavelmente, ainda verão textos como esses no meu blog.
4º: Beijos à todos! Obrigada.